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Palavras da Tribo
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As primeiras, as segundas e todas as palavras Quarta-feira, Setembro 27, 2006
Este é o Chopin. Falta-lhe a pata traseira direita, mas, quando corre, não lhe falta nenhuma. Haviam de vê-lo, tão perfeitamente equilibrado. Equilibrado no corpo e na alma ou naquilo que faz as vezes dela nos animais. O Chopin é um resistente à amargura. Também há pessoas assim, que esperaríamos ver chorosas e encontramos alegres. O Chopin não se lamenta diante de ninguém. Não pede mimos desesperadamente, como fazem muitos animais que estão no canil da União Zoófila. O Chopin aproveita os 15 minutos fora da boxe para correr e de vez em quando prestar-se a uma festa. Para além do perfeito equilíbrio, surpreende por causa do pêlo, sempre a mudar de cor, às vezes cinzento, depois castanho, volta não volta azul, brilhante e depois baço. O Chopin é cor de cão quando corre. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:42 PM - Comments: Escreve Joaquim Fidalgo, hoje, no Público:"O ponto é que de uma organização chamada Compromisso Portugal, eu esperava ouvir como é que os membros dessa organização se comprometem - mas eles, eles próprios, nos âmbitos em que trabalham. Se o compromisso que assumem com o país é apenas o compromisso de dizer ao Governo aquilo com que acham que o Governo se deve comprometer, talvez não fosse preciso tanto espavento, até porque muitos desses remédios já têm sido mais que prescritos em diferentes instâncias. Eu não esperava que eles se preocupassem apenas em dizer o que o Governo ou o país devem fazer, mas também em dizer o que eles próprios se propõem fazer pelo país. Isso é que era um belo compromisso." Nem mais. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 12:15 PM - Comments: Terça-feira, Setembro 26, 2006 Na Rua da Assunção, em Lisboa, há uma loja - "A Outra Face da Lua" - que vende, nomeadamente, vestidos antigos. Escrevo sobre os vestidos porque são mesmo bonitos - corte elegante, tecidos como já não há, bem estampados. Mas também se vendem outras peças de vestuário e decoração vintage muito interessantes. Esta loja, igualmente conhecida pelos chás que ali se servem, pode não durar muito. O banco não empresta aos proprietários o montante suficiente - 450 mil euros - para honrar o contrato de promessa compra e venda celebrado com o agora senhorio. Neste momento decorre uma campanha de venda de T-shirts com o objectivo de reunir o dinheiro necessário para a aquisição do imóvel. Trata-se, naturalmente, de uma empresa privada, mas, ao que parece, com uma carteira de clientes muito razoável. O argumento não convenceu contudo quem, nos bancos, decide sobre empréstimos. Roupa vintage? Dos anos 60 e 70 ou mais antiga? Deve parecer-lhes coisa estranha. Deve parecer-lhes coisa velha e a ideia - a única aceitável hoje em dia - é criar artigos novos, torná-los obsoletos para poder vender a novidade seguinte e torná-la obsoleta logo de seguida e outra vez e outra até à exaustão. Deve ser por isso que, num país onde os bancos se publicitam como fonte inesgotável de euros, não emprestam o dinheiro a "A Outra Face da Lua": o vintage não combina com a lógica consumista que nos sustenta. IR sosvintage.blogspot.com postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:28 AM - Comments: Segunda-feira, Setembro 25, 2006 Teófila regressa a casa. Traz a bandelette preta que lhe atira o cabelo para trás, deixando-lhe uma proazinha sobre a testa. Teófila pôs os óculos. Põe-os sempre quando sai à rua. Os óculos obrigam os automóveis, os sinais de trânsito, o corpo dos outros a respeitá-la. Por isso nunca se esquece deles quando sai à rua, mesmo se lhe deixam dois vincos vermelhos em cada bochecha. Em casa dispensa-os. O que está lá dentro, a mobília, tem-lhe respeito: não aparece e desaparece quando lhe dá na gana. Teófila caminha de devagar mas está quase a chegar a casa, vinda dos correios, onde foi levantar o vale da Segurança Social. Traz as três notas na mala de couro preto, que aperta contra as duas enormes gotas em que o tempo lhe transformou o peito. É ali a casa dela. Tem uma porta verde com um postigo. É só meter a chave à porta. Teófila não atina com o buraco da fechadura. Leva a mão aos óculos para saber que os têm. Têm-nos. Já sente até os vincos dolorosos. Mas o buraco da fechadura desapareceu e depois a porta e a rua e o bairro. Teófila cai de broco no chão. Mesmo antes de perder a consciência fica feliz por ter trazido a bandelette. Teófila quer apresentar-se como é dado diante de Deus. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:24 PM - Comments:
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