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Palavras da Tribo
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As primeiras, as segundas e todas as palavras Sábado, Janeiro 31, 2004 Durante o dia a cidade passa por cima deles, empurra-os para as suas extremidades, evita-os, como se dela não fizessem parte. Estão numa outra dimensão, intocáveis. De noite a cidade é deles, vivem-na, estão por todo o lado. É a essa hora também que as equipas saem para a rua, ao seu encalço. Vão-lhes oferecer abrigo, comida, medir-lhes a tensão arterial, mas principalmente conversar. Uma necessidade vital, ter alguém que nos oiça, que esteja ali inteiramente para nos ouvir, todo à escuta. São muitas as histórias, sanas, insanas. Como disse alguém, ninguém vem aqui parar por acaso. Mesmo aqueles que aparentam uma maior "normalidade". Lá no fundo existe sempre um abandono. Uma saída a ferros. Um profundo corte umbilical. mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:39 AM - Comments: Sexta-feira, Janeiro 30, 2004 duas pessoas lado a lado. almoçavam concentrados. ela grande, alérgica a tudo. ele pequeno com voz de mulher. estava tudo errado com aqueles dois, reparou ela irritada. ele deveria ser mais alto, ela mais magra. a voz grave dela tornava-o patético. a suavidade e o sorriso dele faziam-na monstruosa. era desconcertante. metia dó. pareciam felizes. miss portugal postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:27 PM - Comments: Quinta-feira, Janeiro 29, 2004 era uma casa grande e linda. limpa guardada pela luz branca incandescente. o chão quadrava-se aos pés pontiagudos dos muitos homens que o corriam. nunca estava sujo o chão. cheirava a comida. os quartos enfileirados seguiam a numeração até quinze. as toalhas branqueavam a sala e tocavam nas cadeiras de napa pretas ou indefinidas. cheirava a comida. a água escorria dos chuveiros por utilizar. os pingos de água fustigavam as paredes. onde param os utentes? os cartões disparatadamente azuis e laranja descansam nas mesas de trabalho. vendem-se coisas. coisas coloridas e inquebráveis. cheira a comida. entram passos com pessoas em cima. sentam-se calças velhas com pessoas dentro. trazem a comida. os pratos luzem de higiene. é-se contado. é-se explicado da ordem das coisas. promete-se não voltar a regredir. é-se perdoado. cheira a comida. miss portugal postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:12 PM - Comments: Quarta-feira, Janeiro 28, 2004 olhou para cima. os degraus pareciam-lhe subir ao céu. contou até dez, depois parou cansada. não iam até ao céu, mas pareciam tocá-lo. seria uma boa ideia subir até ao céu pelas escadas de casa. deixaram de existir razões para entrar. repetir os gestos, girar pelos espaços, aborrecer os sofás, a mesa. pesavam-lhe as pernas rente ao chão, pendiam-lhe os braços de volta dos pratos. tocaram à porta. não se mexeu. tocaram mais. não podia usar os braços que serviam a cozinha, as pernas que davam serventia oa chão. mexeu os olhos em direcção à porta e pensou, abre-te. só o impossível podia acontecer. a porta abriu-se. ele entrou. ela deixou de sentir medo. subiram os dois as escadas. chegaram lá. o céu não era azul. miss portugal postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 2:17 PM - Comments: Terça-feira, Janeiro 27, 2004 OFICINAS CAIS 2004 Durante todo o mês de Fevereiro, as palavras da tribo e um grupo de pessoas das mais diversas áreas que a si se juntaram, irão estar em Marvila, no futuro Centro de Dia da Revista Cais, a dar 14 oficinas dirigidas à comunidade sem-abrigo da cidade de Lisboa. Estamos a falar de oficinas de fotografia, leitura, códigos de linguagem, escrita, teatro, música, dança, yoga, internet (criação de um blog!), desenho, escultura, Kung-Fu flor-de-lótus. Através desta iniciativa, a Cais estará a testar o funcionamento do Centro de Dia, onde pretende vir a acolher, orientar e dar formação a esta comunidade, complementando a actividade dos albergues nocturnos e dos demais centros de acolhimento da cidade. Quem quiser colaborar connosco é bem-vindo, estamos a precisar de voluntários que possam estar no local durante o funcionamento dos oficinas a prestarem apoio e, no caso da oficina de internet (que funcionará todas as 6ªs feiras das 10:00 às 13:00), a dar formação "bloguistica". (Horário das oficinas: 2ª a sábado das 10:00 às 17:00). Para mais informações contactar a Cais: 21-8801010/19). mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 10:06 AM - Comments: Segunda-feira, Janeiro 26, 2004 para acabar de vez com os mitos. caldo de galinha nunca fez mal a ninguém. mentira. que o frango à la nitrofurano rebelou-se em mim e saiu em jorros ácidos de galináceo em fúria. que o chá de limão faz milagres para o catarro. medonha e maldosa sugestão. o limão de casca luzidia resiste à fervedura, a tosse agarra-se ao corpo e entre língua escaldada e goela ardida, temos o caldo entornado. que ao terceiro dia a febre esmorece, o esqueleto empina-se de vivacidade. bahh. quando vamos deixar de acreditar? ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:10 PM - Comments: viver do risco e do incerto. tudo parece estar pendente de uma aprovação, de um aceno de cabeça, de um poder iníquo que nos pode estraçalhar ou salvar. as nossas horas repartidas entre inutilidades e demais cumprimentos. a coisa pendente assombra as nossas vidas, como o ramo de oliveira o enforcado. ali se decide a dor, a perdição. ali se acaba esperança. ib, céptica postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:18 AM - Comments: Domingo, Janeiro 25, 2004
Este ano é ano de macaco, segundo a astrologia chinesa. O papel recortado é uma das artes populares tradicionais da china e remonta a mais de 2000 anos atrás. Dizem que antigamente no campo, um dos critérios utilizados pelo homem para valorizar a mulher era ver se ela sabia ou não fazer papéis recortados. Para a mulher, esta era uma forma de expressar os seus sentimentos e desejos (chinabroadcast). mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:43 PM - Comments: Sábado, Janeiro 24, 2004 de "Cena do Ódio", de Almada Negreiros, poeta sensacionista e Narciso do Egipto, a Álvaro de Campos a dedicação intensa de todos os meus avatares. Foi escrito durante os três dias e as três noites que durou a revolução de 14 de Maio de 1915 "... Tu, que dizes Homem! Tu, que te alfaiatas em modas e fazes cartazes dos fatos que vestes p'ra que se não vejam as nódoas de baixo! Tu, qu' inventaste as Ciências e as Filosofias, as Políticas, as Artes e as Leis e outros quebra-cabeças de sala e outros dramas de grande espectáculo Tu, que aperfeiçoas sabiamente a arte de matar. Tu, que descobriste o Cabo da Boa-Esperança e o Caminho Marítimo da Índia e as duas Grandes Américas, e que levaste a chatice a estas Terras e que trouxeste de lá mais gente pr'aqui e qu'inda por cima cantastes estes Feitos... Tu, que inventaste a chatice e o balão, e que farto de te chateares no chão te foste chatear no ar, e qu'inda foste inventar submarinos p'ra te chateares também por debaixo de água, Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas e que nunca descobriste que eras bruto, e que nunca inventaste a maneira de o não seres Tu consegues ser cada vez mais besta e a este progesso a que chamas Civilização! Vai vivendo a bestialidade na noite dos meus olhos, vai inchando a tua ambição-toiro 'té que a barriga te rebente rã. ..." IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:09 PM - Comments: Sexta-feira, Janeiro 23, 2004 tinha escrito tudo. uma ideia. depois outra. tudo o que havia de dizer-lhe ao telefone. pontuara o texto. não esquecera as vírgulas, os pontos finais, um ou dois de interrogação, sem lugar para resposta que não fosse dada, por ele, no texto. fizera parágrafos para evitar a contaminação das ideias. não se preocupara com as reticências, pois era actor e sabia, dispensando sinais gráficos, interromper o discurso e retomá-lo depois de uma pausa mais ou menos extensa, aligeirá-lo ou arrastá-lo. estava pronto. releu as duas páginas e pensou que conseguira resumir o mais importante. carregou nas teclas. interpretou o texto. sentiu a falta dos aplausos no final. ouviu apenas o sinal de chamada interrompida. mas avaliava positivamente o seu desempenho artístico. talvez não fosse bom dramaturgo. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 12:45 PM - Comments: Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Henri Cartier-Bresson France postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:04 PM - Comments: "(...) Para acabar este retrato, direi que possuía um nariz ligeiramente arrebitado, dentes de uma brancura deslumbrante e olhos castanhos. Devo ainda acrescentar algumas palavras sobre o seu olhar. Primeiro que tudo, os seus olhos não riam quando ele ria! Nunca notastes este pormenor em certas pessoas? É o sinal ou de uma natureza perversa ou de uma tristeza profunda e constante." Mikhail Iurevitchh Lermontov, em "Um Herói do Nosso Tempo" IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:40 PM - Comments: é de entender o olhar de terror de um peão em legítimo andamento numa passadeira. Apesar de toda a sinalética assim o indicar (passadeira, sinal verde e outras preciosidades) a verdade é que o terror do atropelo lhe sobe da alma. já se vislumbra no corredor do são josé , o corpo estraçalhado, a viver de uma baixa não fraudulenta e o moral de pantanas. tem razão de sentir terror. há atropelos de gelar a alma. literais e dos outros. ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:26 PM - Comments: Quarta-feira, Janeiro 21, 2004 introduziu o braço esquerdo por dentro da camisola e soltou o outro da manga, que ficou sem conteúdo. libertou também aquele. levou os dois ao decote da camisola e elevou-a sobre a cabeça, com cuidado, para que o cabelo louro e fino não se desmanchasse. deixou a camisola - de mangas abertas, como um corpo à espera - sobre o espaldar da cadeira. correu o fecho da saia, permitindo que deslizasse até enrolar-se-lhe o tecido aos pés. um pé primeiro, a seguir o outro saltaram para fora da rodilha. pegou na saia. alisou-a. deixou-a sobre o assento da cadeira. com as palmas das mãos iniciou o movimento de libertar-se das meias desde a cintura. os cilindros de nylon tornaram-se espessos. quando alcançou os tornozelos, puxou as meias pela costura do bico do pé. deixou-as no chão, em frente da cadeira, perto dos sapatos. levou as mãos a meio das costas e desprendeu, num mesmo gesto, os dois colchetes. deixou cair o cai-cai. depois segurou as cuecas de ambos os lados e fê-las descer pelas pernas num só movimento. abandonou-as num saltinho quase infantil. ficou no meio do quarto. não sentia frio. a consciência da beleza própria trazia-lhe calor ao rosto. sorriu. quem entrou viu que ela sorria. aproximou-se dela. olhou-a nos olhos. tão alto um como o outro. aproximou a cara do corpo dela. como se o cheirasse. ou não pudesse vê-lo a outra distância. percorreu-o, com a cara a alguns milímetros, desde os dedos em garra dos pés até à base do pescoço. fez o mesmo do outro lado. entre os calcanhares e a nuca. ali ergueu-lhe o cabelo louro e fino. pegou-lhe no pulso direito e afastou-o do tronco. descobriu-lhe a cintura marcada. tocou-lhe na cintura com a mão aberta. fez pressão. saiu. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:37 PM - Comments: você quer meter-se em sarilhos? então bata-me! bata-me se quer problemas, ouviu anabela gritarem à porta do café. a pedinte afastava-se em vozeirão. que não havia direito, que ia chamar a polícia. que não lhe tocassem se não queriam problemas. anabela não achava que se podiam arranjar problemas por bater em alguém. ele nunca os teve. era só ela que os arranjava. compor a cara, compor o sorriso. mentir com delicadeza. perdoar. esse é que era o maior problema. perdoar sem armar sarilhos.sem que ninguém percebesse. sem que lhe enguiçasse a vida. sem que ele se fartasse. sem armar problemas. miss portugal postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:18 PM - Comments: onde é que estava o passaporte? não isto. não aquilo. extractos de contas. porque as guardava? porque guardava todos os papéis? e como ia voltar a arrumá-los depois daquele vendaval. um vendaval que não levantava o passaporte. que não o fazia rodopiar no ar para que ela o apanhasse e prendesse entre as palmas. fotografias esparsas. aquela miúda com a expressão interrogativa na cara, por exemplo, não era ela. ou talvez fosse, mas tinha passado muito tempo. parecia muito. e as fotografias sempre lhe pareceram mais apropriadas a quem morrera. o avô estava morto. o avô sim, era aquele. as patas dianteiras da cadela castanha empurravam-lhe as coxas. castanho também o boné, em direcção ao focinho do animal. este à espera que a mão rugosa lhe descesse sobre a cabeça. no fundo da gaveta, a mão dela agarrou um maço de folhas quadriculadas com letra muito miúda. o relato de uma viagem que fizera antes. as folhas não estavam numeradas. sentiu a tentação de procurar a primeira. descobrir depois a que a prolongava. mas... o passaporte. havia a viagem. a viagem de trabalho. não podia dispersar-se. largou o relato. surgiram bilhetes de metro das cidades onde estivera. saltaram folhetos que lhe tinham distribuído na rua. coisas escritas em guardanapos. tudo menos o passaporte. deslocou a mão para a esquerda e sentiu duas folhas de papel espesso. puxou-o para diante dos olhos. era de tamanho A4, dobrado no canto esquerdo à largura de dois dedos. viu o nome dela inteiro escrito com letra muito redonda logo a seguir à data. ambos desenhados a caneta azul um pouco abaixo do centro da primeira página. do lado direito erguia-se um sol-de-lápis-de-cor-amarelo que um traço vermelho fazia rir de um lado ao outro do círculo. era uma prova esquecida da escola primária. não se deteve nela. nem abriu as folhas para verificar os exercícios e os sinais de visto ou as correcções. pô-la em cima da cama. ficava para depois. para quando pudesse perder - ou talvez ganhar - tempo. onde é que estava o passaporte? IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:40 AM - Comments: As melhores histórias que ultimamente tenho lido estão na blogosfera e estão neste blog Homeless and desabled in Alabama. A vida, pura e dura, de quem vive o desabrigo da doença e mesmo assim resiste, não se deixa esvaziar e desta forma enche-nos. Leiam que vale mesmo a pena. mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:21 AM - Comments: Segunda-feira, Janeiro 19, 2004 no autocarro ouviam-se indistintamente críticas ao sistema, ao governo, ao mundo. anabela pensou que não havia direito de se deixar de acreditar. ainda de manhã tinha apanhado da rua um moeda de 2 euros e no café alguém lhe sorrira sem qualquer motivo aparente. ora que mais era necessário para acreditar que tudo se iria compor. o emprego, a vida. miss portugal postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:53 AM - Comments:
Lembram-se do carteiro de "Jour de fête"? (Ontem, finalmente, consegui ir ver o playtime, estive quase duas horas a rir, mas a rir mesmo, sem qualquer contenção. quando voltava de carro para casa parecia que Lisboa era o novo cenário do filme e vi-me a acenar toda contente ao senhor da Fontes Pereira de Melo que de óculos escuros e todo bem posto passa as suas noites a dizer adeus aos carros e a sorrir. Ao vê-lo não me restaram quaisquer dúvidas que o playtime agora era em Lisboa. E adormeci ainda a rir, Grande Jacques Tati!!! Contigo sempre!!!) mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:39 AM - Comments: Sábado, Janeiro 17, 2004 Sobre pessoas cinzentas, Nicolai Gogol escreveu, em "O Retrato": "São pessoas que, por força da roupa, da cara, do cabelo e dos olhos, têm uma aparência turva, cinzenta, como um dia em que não há tempestade no céu, mas também não há sol, nem isto nem aquilo: paira uma neblina que tira toda a nitidez aos objectos." E sobre um certo modo de envelhecer: "Enfim, a sua vida rasava já aquela idade em que tudo o que respirava entusiasmo se encolhe, em que o som do poderoso violino chega já fraco à alma e não envolve o coração de melodia penetrante, em que tocar o belo já não transforma as forças virgens em chamas, em que todos os sentimentos embotados se tornam mais sensíveis ao tilintar do ouro, escutam com maior atenção a sua música sedutora e, a pouco e pouco, sem se dar por isso, se deixam adormecer por completo." IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:05 PM - Comments: Sexta-feira, Janeiro 16, 2004 ora, havia lá de me importar, repetia anabela, ao ser despedida. Então, se tem de ser ... o que é que uma pessoa pode fazer, continuava ela. pode ser que para a próxima corra melhor, não desistia. apertou o botão do casaco comprido da zara, saldos a 15 euros, e sorriu para todos. miss portugal postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:51 PM - Comments:
O Primeiro Degrau A Teócrito queixava-se um dia o novo poeta Eumenes: «Há dois anos que escrevo e apenas fiz um idílio. É a minha única obra completada. Ai de mim, é alta vejo muito alta a escada da Poesia; e deste primeiro degrau onde estou não subirei nunca pobre de mim.» Disse Teócrito: «Estas palavras são impróprias e blasfémias. E se estás no primeiro degrau, deves ser orgulhoso e feliz. Aqui onde chegaste, não é pouco; quanto fizeste, grande glória. Este mesmo primeiro degrau dista muito das pessoas comuns. Para pisares este primeiro degrau tens de ser por direito próprio cidadão da cidade das ideias. E é muito difícil nesta cidade e raro que te naturalizem. Na sua ágora encontras legisladores que não pode burlar nenhum aventureiro. Aqui onde chegaste, não é pouco, quanto fizeste, grande glória». (este poema é de Konstandinos Kavafis. Descobri-o no catálogo que reúne o trabalho realizado entre 2002-2003 no "Projecto Espaços Lúdicos". Este projecto foi gerido em parceria pela Câmara Municipal de Cascais e pela Associação para o Desenvolvimento Sócio-Educativo do Concelho de Cascais, em articulação com Jardins de Infância e escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico. Eu levei os meus filhos a ver a exposição final dos trabalhos das crianças envolvidas nos ateliers, que iam desde a dança, biodanza, à azulejaria/cerâmica, fotografia, pintura, cinema e literatura infantil, desenho, e fiquei a pensar porque é que estes projectos não fazem parte da "escolaridade obrigatória"? Menos obrigações e mais brincadeira e criatividade, precisa-se!) mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:14 AM - Comments: Quarta-feira, Janeiro 14, 2004 Quando o filme acabou e tive de abandonar a sala, quis perceber porque estava a sentir-me mal, indisposta. Antes de mais, a sentir-me mal, como? Compreendi depois. Sentia-me mal por se ter tornado clara a impossibilidade de reparação de um acto inevitável. Aceitara aquilo que veio a repugnar-me. Não saía inocente da sala. O filme chama-se "Mystic River", foi realizado por Clint Eastwood e eu devia bater na boca pelo mal que durante anos disse do homem por causa de "go ahead punk, make my day". IR
esqueci-me que atrás de "Dave" existia Tim Robbins. postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:34 PM - Comments: Ouvia o vizinho de baixo a rir-se, a soltar gargalhadas. Daquelas puxadas, quem sabia se a ferros, lá do fundo, do fundo das tripas. O vizinho soltava as gargalhadas, mas não as deixava partir logo de seguida. Pegava no "ah!" e repetia-o cada vez mais alto. "ah-Ah-AH-AH-AH." Ela, que nunca o vira, imaginava-o a baixar e elevar o tronco, como se a pedir clemência para o corpo atormentado. Talvez até abraçasse a barriga. Ou se rebolasse no chão. Acontecia sempre à mesma hora. Às 18h15. "ah-Ah-AH-AH-AH." No Inverno, era quase de noite. Os candeeiros da rua estavam acesos. A luz deles amarelecia a penumbra dentro da casa dela. Não gostava daquele amarelo, mas também não queria fechar as cortinas. Calçou os sapatos. Abriu a porta. Desceu as escadas e bateu à porta do vizinho. Interrompeu-lhe uma gargalhada. Mas foi um rosto sério que a acolheu. "Ouvi-o e pensei que podia contar-me a história que o faz rir assim todos os dias", tentou justificar-se. Ele disse-lhe que entrasse e ensinou-a a rir-se. Mas não lhe contou qualquer história. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:56 PM - Comments: aquela fulana dava-me vontade de lhe bater, queixava-se o meu amigo. era a maneira de descer a rua. não, era a mala, pec pec a bater na perna. aquilo enervava-me e quando me via sorria. já sabia que me irritava e ria-se da minha patetice. e hoje vi-a no café. no meu café, caraças. ouvi um pec pec e pensei que estava a ter alucinações. mas o pec pec era real. Pec pec e lá entra ela no café, a mala a roçar-me o jornal que não conseguia ler, pede qualquer coisa e riu-se para mim. bom dia, disse ela. é possível odiar assim uma pessoa? só por ela fazer pec pec pelas ruas abaixo? suplicou-me ele.. é. é possível. retorqui eu. virei-me, paguei a nossa conta e saí tac tac para a rua. ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:11 PM - Comments: pessoas de bem. quantos de nós somos pessoas de bem? quantas pessoas de bem conhecemos? que existam com simplicidade practicando o bem em dias sucessivos. e quando se perdem voltam a repetir o que está certo. onde vivem essas pessoas. mais fácil será encontrar um hobbit. não é difícil ser-se uma pessoa de bem. é só fazer as coisas certas ditadas pelo nosso deus, ou por outra qualquer voz. pode ser a consciência, à falta de melhor. e se a pessoa de bem escrever ou pintar, melhor ainda, será uma pessoa de bem/artista. é raro, mas bonito. ib, moralista postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:50 AM - Comments: Terça-feira, Janeiro 13, 2004 antigamente, diz o meu filho, era tudo diferente. a ginástica era à sexta, o dia do brinquedo também. havia ténis e a becas ainda estava na escola. é verdade. é mesmo verdade. aos cinco anos fala-se em antigamente. com que palavras podemos nós falar do nosso passado? palavras velhas, pesadas, com estrias e flacidez. inventemos palavras. palavras-pessoas. palavras de 30, 40, 50 anos. palavras reformadas, cuspidas em lares entre velhas palavras em desuso. palavras boas, bem, bom, bombom. brincar, beijar, bocejar. bochecha. a melhor palavra do mundo. ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:10 AM - Comments: Segunda-feira, Janeiro 12, 2004 a maria agradece à montanha pelo andrew wyeth postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:12 AM - Comments: nunca procurar o lugar que se entreviu no sonho. primeira regra da contenção. mas apetecia lá ir. o lugar era uma galeria de coisas bizarras. de pedaços de coisas, vidros, objectos que se mexiam como bichos detrás de vitrines. olhavam para nós e quando os queríamos tocar, ou apreçar, sssttttt, desapareciam, escondiam-se por detrás de outros. e depois alguém me quis ajudar. me explicou coisas que não necessitavam de explicação. e continuava a falar e eu sem ver o propósito daquilo, da voz, da explicação, do corpo perto do meu a prolongar-se ao pé de mim. a esticar o tempo plausível. acordei sentindo urgência. ir à galeria. procurar a sensação das coisas esquisitas que se mexiam como vermes criativos. ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:02 AM - Comments: Domingo, Janeiro 11, 2004 Era de noite e ele caminhava depressa. Sentia-se cansado. Mais um dia de trabalho, durante o qual o corpo dele, mesmo se a consciência o abandonava, não tinha parado. Francisco andava depressa na expectativa da imobilidade que lhe seria permitida quando fechasse a porta atrás de si. A imobilidade total. Deixava-se cair no sofá e cessavam as solicitações feitas ao corpo. Mas não se sentava displicentemente. Mantinha as costas direitas. O peso dos membros anunciava-lhe a imobilidade. Acolhia-o como uma bênção. Ansiava de tal maneira que começou a correr pela rua, esmagando contra o peito a mala de cabedal. Ao dobrar a esquina assustou-se com qualquer coisa que, entre os automóveis estacionados, parecia movimentar-se. Francisco aproximou-se e deu com o vizinho, aquele que tinha uma deficiência motora, a fazer flexões de braços, agarrando com força as canadianas. Pensou que o movimento se impunha até ao corpo defeituoso, que o mundo não era senão corpos em movimento. Também o dele corria para casa. Só lá a imobilidade havia de tomá-lo. Inteiro. Talvez a deixasse ficar naquela noite. E no dia seguinte. E depois. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:01 PM - Comments: Com France Gall, Résiste Si on t'organise une vie bien dirigée Où tu t'oublieras vite Si on te fait danser sur une musique sans âme Comme un amour qu'on quitte Si tu réalises que la vie n'est pas là Que le matin tu te lèves Sans savoir où tu vas Résiste Prouve que tu existes Cherche ton bonheur partout, va, Refuse ce monde égoïste Résiste Suis ton coeur qui insiste Ce monde n'est pas le tien, viens, Bats-toi, signe et persiste Résiste Tant de libertés pour si peu de bonheur Est-ce que ça vaut la peine Si on veut t'amener à renier tes erreurs C'est pas pour ça qu'on t'aime Si tu réalises que l'amour n'est pas là Que le soir tu te couches Sans aucun rêve en toi Résiste Prouve que tu existes Cherche ton bonheur partout, va, Refuse ce monde égoïste Résiste Suis ton coeur qui insiste Ce monde n'est pas le tien, viens, Bats-toi, signe et persiste Résiste... mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:41 AM - Comments: Sábado, Janeiro 10, 2004
À procura da animação dos meus dias Um exercício que se me tornou indispensável foi o de descobrir o que me anima o dia, para me ajudar a combater os dias que reservam acasos desanimadores, ou aqueles em que sou eu que acordo com pouco animo. E assim, aos poucos, tenho vindo a compor a lista: - praticar yoga antes da cidade e das crianças acordarem; - uma longa caminhada pela serra de Sintra, da Arrábida, ou passear por Lisboa sem destino; - colocar um disco da Elis Regina e cantar com ela, "não quero lhe falar meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos, quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo..."; - rever no dvd qualquer filme de Nanni Moretti, mas especialmente "Aprile" e "Caro Diario"; - desenhar; - dançar, sozinha ou acompanhada; - um demorado banho de mar na maré-baixa, para facilitar as carreirinhas, ... tudo isto experimentei mais do que uma vez, e tudo isto, sei, me anima tremendamente,
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mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:12 PM - Comments: Da "Desgraça" de J.M. Coetzee "- Era um macho. Sempre que aparecia uma cadela nas redondezas ele ficava excitado e intratável e os donos batiam-lhe com uma regularidade pavloviana. Isto continuou a acontecer até que o pobre do cão já não sabia o que fazer. Quando farejava uma cadela, punha-se a andar à volta do jardim com as orelhas caídas e o rabo entre as pernas, a ganir, tentando esconder-se. Faz uma pausa. - Não vejo onde quer chegar - diz Lucy. E, na verdade, onde quer ele chegar? - Havia algo de tão ignóbil naquele espectáculo que eu desesperava. Na minha opinião, pode castigar-se um cão por ele, por exemplo, roer um chinelo. Um cão aceita que se faça justiça por essa razão: uma coça por uma roidela. Mas o desejo é outra história. Nenhum animal aceitará a justiça de ser castigado por seguir os seus instintos. - Queres dizer que os machos devem poder seguir os seus instintos sem limites? É essa a moral? - Não, não é essa a moral. O que é ignóbil no espectáculo de Kenilworth , é que o pobre animal começou a odiar a sua própria natureza. Já não era preciso bater-lhe. Ele estava preparado para se castigar a si mesmo. Nessa altura, teria sido melhor abatê-lo a tiro. - Ou castrá-lo. - Talvez. Mas eu acho que, lá no fundo, ele preferia ser abatido. Preferia isso a ter de optar entre, por um lado, negar a sua natureza e, por outro, passar o resto da vida na sala de estar, a suspirar, a farejar o gato e a ficar obeso. - Sempre pensaste assim, David? - Não, sem sempre. Houve vezes em que pensei exactamente o contrário. Que todos passaríamos bem sem o desejo." mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:30 AM - Comments: Quinta-feira, Janeiro 08, 2004 Partida, Vinícius de Moraes "Quero ir-me embora pra estrela Que vi luzindo no céu Na várzea do setestrelo. Sairei de casa à tarde Na hora crepuscular Em minha rua deserta Nem uma janela aberta Ninguém para me espiar De vivo verei apenas Duas mulheres serenas Me acenando devagar. Será meu corpo sozinho Que há de me acompanhar Que a alma estará vagando Entre os amigos, num bar. Ninguém ficará chorando Que mãe já não terei mais E a mulher que outrora tinha Mais que ser minha mulher É mãe de uma filha minha. Irei embora sozinho Sem angústia nem pesar Antes contente da vida Que não pedi, tão sofrida Mas não perdi por ganhar. Verei a cidade morta Ir ficando para trás E em frente se abrirem campos Em flores e pirilampos Como a miragem de tantos Que tremeluzem no alto. Num ponto qualquer da treva Um vento me envolverá Sentirei a voz molhada Da noite que vem do mar Chegar-me-ão falas tristes Como a querer me entristar Mas não serei mais lembrança Nada me surpreenderá: Passarei lúcido e frio Compreensivo e singular Como um cadáver num rio E quando, de algum lugar Chegar-me o apelo vazio De uma mulher a chorar Só então me voltarei Mas nem adeus lhe darei No oco raio estelar Libertado subirei." in Antologia Poética postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 12:53 PM - Comments: Quarta-feira, Janeiro 07, 2004 primeiro riram-se, ou melhor, riu-se o homem e riu-se o filho mais velho. o mais novo manteve-se sério, o que era de estranhar pois o pequeno era o que gostava mais de rir-se. o pai riu-se como quem tosse sem abrir a boca - para dentro, ou seja, ouvia-se mas não se via. era um riso embuçado. o filho mais velho riu-se apenas para o lado direito da cara e o mais novo franziu a testa. quando os três entraram em casa, a mulher dava-lhes as costas, conversando animadamente com o jarrão que havia em cima da mesa do telefone. eles não tomaram nota do que ela estava a contar-lhe porque estavam muito ocupados a rir-se. é uma coisa engraçada observar alguém falar com um jarrão. ou com o bengaleiro. ou com o sofá. não é bem o mesmo, mas é quase tão engraçado como apanhar alguém a conversar com um garfo ou com um sapato. "o que é que estás p'raí a dizer, mulher?" foi mesmo assim. "o que é que estás p'raí a dizer, mulher?" e ela calou-se. mas calou-se mesmo. quer dizer, desde aí, e já lá vão dois anos, seis meses e três dias, nunca mais falou. ou eles nunca mais a ouviram. não é bem assim. o mais novo sabe - mas não diz a ninguém - que ela gosta muito de conversar com a cadeira da sala. a do canto, ao lado da janela, onde, às vezes, dá o sol. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:06 PM - Comments: onde é que a gaja pensa que vai? com esta frase embrulhada em desapiedado ódio senti o dia perdido. saí com uma pretensa calma do carro, revolteando o olhar em busca de abrigo e pensei ser desabrida e malsã a cidade. há dias em que a cidade se desaconselha. ib, em dia não postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:09 PM - Comments: Terça-feira, Janeiro 06, 2004 escreve-se , está-se a escrever ou é-se escrita?as palavras comandam-nos ou são-nos marginais? decoramo-nos de palavras ou são elas que nos constroem? quando não se escreve perdemos a essência ou mostramo-la? antes de começar a escrever, de lápis afiado e nunca utilizado do lado direito da folha, criava uma questão angustiante.doutro modo para quê escrever, senão para acalmar um desarranjo da intimidade. era imperioso sentir um desconforto, frio nos pés, uma inveja desnecessária, uma infelicidade dita em tom de aforismo. era preciosa a desdita para que a coisa lhe saísse. de esforço feita, com cheiro, suor e tensão nos trapézios. e a inutilidade do processo também lhe assentava. era coisa para lhe sair dispendiosa e sem lucro. eis completado o cenário, meio convicção alienada meio caturrice. a coisa ia dar certa. era o momento de começar. ib, sobre a criação postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:05 PM - Comments: Segunda-feira, Janeiro 05, 2004 CRISTINA LAMAS na Lisboa 20 Arte Contemporânea
A Galeria Lisboa 20 Arte Contemporânea vai inaugurar uma exposição de desenhos de Cristina Lamas, no dia 10 de Janeiro, Sábado, às 16 horas. O horário da galeria é de terça-feira a sexta-feira das 14.00h às 20.00h e aos sábados das 12.00h às 20.00h. A Lisboa 20 também tem um blog, o Abismo. mp ps: Foi através da Cristina que me apaixonei pelo trabalho da Louise Bourjeois. A ela devo uma propositada ida a Madrid para ver uma exposição sua numa galeria desta cidade. A peça que mais me impressionou foi um confessionário de madeira escura com um genuflexório e uma pequena almofada com as palavras "je t´aime" bordadas a linha vermelha. A partir daqui não resisti a escrever uma serie de pequenos poemas, um dos quais já publiquei neste blog e volto a fazê-lo dedicado agora à Cristina: "- Je t´aime. Estava escrito sobre a almofada. A linha em sangue vivo. Alguém talvez bordara o que sentira e não conseguira dizer a outro alguém. Alguém se ajoelhara sobre a confissão. No avesso de uma almofada que agora servia para eu proteger os joelhos enquanto ajoelhada orava. Alguém a quem talvez outro alguém lhe tivesse dito. Ecris mois. Pas de lettres. Ou talvez. Dis-moi que tu m´aime. Mes pas aujourd´hui. Enquanto eu te murmurava, sussurrava. Alguém me bordava um dos joelhos, que entre a meia e a saia, se deixava aparecer. Há palavras que só podem ser ditas de joelhos. Há palavras que só podem ser bordadas a linha encarnada ou vincadas na pele. Je t´aime. Dentro de quem ora. Dentro de quem borda. Lava que ainda não cegou os teus olhos. Nunca te encandeaste? É uma pergunta. Eu encandeei-me de ti. É uma resposta. Quando saí do templo olhei o joelho esquerdo e tentei subir a meia que teimava em ficar. Envergonhei-me que alguém as visse. As palavras que eram para ti. Apenas para ti. E fingi que perdera alguma coisa no chão inclinando-me. Fui assim até casa. Mas os vincos na pele tinham desaparecido e na polaroid que disparara em direcção ao genou a pele lisa e intacta parecia recusar o encontro. Queria-ta enviar embora não te soubesse a morada. No templo, vazio, procurava-te, retinha-te, esgotava-te. Mas cá fora tantos eram os sinais que me baralhava. Olhava o mapa da cidade, aberto sobre o soalho, e com o dedo tentava caminhar ao teu encontro. Imaginava onde viverias. No centro? Nas periferias? Queria-te na rua, sem destino, à mercê dos dias. E sobre um banco de jardim, todas as noites. Queria que tivesses passado muito frio, para que o meu pouco, calor, te parecesse tanto. Queria que tivesses passado muita fome, para que o meu pouco, alimento, te enchesse. Queria-te só. Para que a minha solidão te fosse tudo. Je t´aime." postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:13 AM - Comments: Domingo, Janeiro 04, 2004 ONDE ESTÁ A TRIBO? ONDE ESTÁ?
postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:09 AM - Comments: Há já alguns dias que não as vejo, as minhas companheiras de blog. Procurando imitar a salamandra-de-pintas-amarelas, hibernei durante a quadra para o seio da (sagrada) família. Toda a família é sagrada, mesmo havendo querelas, "estalos" e "batatada". A família protege-nos do nosso mau humor, dos nossos amúos, das nossas birras sem causa. A família é um filtro onde deixamos as nossas impurezas antes de sairmos para a rua. Quando o filtro está estragado, por falta de uso ou uso indevido, lá vai o nosso mau humor atrás de nós, como uma sombra, antes do bater da porta. Murnau conhecia-a muito bem. A sua sombra. Negra e pontiaguda. Olá IB, olá IR, tenho saudades desta minha outra família. mp postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:00 AM - Comments:
Vesna Bukovec postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 10:53 AM - Comments: "Se tiver de voltar para trás, ao mesmo sítio, pelo menos não quero voltar pelo mesmo caminho", dizia ele enquanto conduzia sob as estrelas das iluminações de Natal, incapazes de orientá-lo nas ruas da cidade nocturna. Ela recostou-se e pensou em aplicar aquela espécie de máxima à maneira como vivia. Assim, talvez voltar para trás por um caminho diferente fosse, afinal, não voltar para trás. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:43 AM - Comments: então, então. o ano novo está a deixar marcas. secou a pena? estão demasiado felizes para escrever ou demasiado ocupados no esforço de sentirem qualquer coisa.é tempo de sensações. parece que todos devemos estar a sentir qualquer coisa. tem de ser. vamos cá todos fazer esse esforço. um, dois, três. não vale fingir. como no amor. ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:05 AM - Comments:
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